
“O lixo faz parte da vida. O final do serviço é o lixo. E é dali que começa”. Enock (BOCA DE LIXO, 1992)
FICHA TÉCNICA
Título: “Boca de lixo”
Diretor: Eduardo Coutinho
Ano: 1992
País: Brasil
Duração: 49 min
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Na Cartoon Video Cabral – Curitiba, o “Boca de lixo” vem no extras do filme “Peões”, também de Eduardo Coutinho
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PARA PENSAR DESIGN E:
consumo; embalagens; artefatos; sustentabilidade; cultura e sociedade; modos de vida.
RESENHA
O filme “Boca de Lixo” foi dirigido pelo cineasta Eduardo Coutinho e realizado no ano de 1992. O filme trata de algumas pessoas que vivem de um lixão na região metropolitana do Rio de Janeiro. Pessoas que vivem literalmente do lixo e dependem dele tanto para recolher e vender latinhas de alumínio, quanto para se vestir e para comer. Inicialmente as pessoas se escondem, fazem sinais para que a equipe de filmagem vá embora, afinal, já estão acostumados a serem retratados pelos meios de comunicação, sem serem questionados sobre a vontade ou não de serem filmados.
Porém, a abordagem de Coutinho não se limita a simplesmente registrar a vida dessas pessoas no lixão. Ele também vai até suas casas, trazendo ao espectador um pouco do cotidiano de cada uma delas, de como construíram suas casas e famílias com o lixo. Esse filme documenta cenas do cotidiano de um grave problema social, que permite a percepção da diversidade, das contradições, aspirações e singularidades de cada um dos entrevistados. Depois de um produto ser concebido, produzido e consumido, chega a sua etapa final e é descartado. O lixo é associado a tudo que termina e já não serve mais para a sociedade. E é justamente a partir do que já não serve mais para a sociedade que muitas pessoas sobrevivem.
Enock, um dos participantes do filme, fala que “O lixo faz parte da vida. O final do serviço é o lixo. E é dali que começa”. Uma frase que resume bem a constatação do filme, que mostra uma face da realidade do que a sociedade de consumo produz em enorme quantidade, mas insiste em tentar esconder, embora as toneladas de lixo sejam intermináveis, e a presença das pessoas que vivem dele seja indiscutível.
Fonte:
FRANÇA, Ana Claudia Camila Veiga de; SIMÃO, Augusto Mosna. Filme-documentário sobre artefatos cotidianos, modos de vida e hábitos de consumo. 2008. 134 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Tecnologia em Artes Gráficas), Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 2008.